segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Automóvel

Sou muito ansioso. Acredito que o motivo que mais despertou minha ansiedade, pelo qual mais esperei durante os dezoito anos da menoridade, foi: a aquisição da carteira de motorista. Este era o símbolo da maioridade que, com o diploma do ensino médio, representavam a liberdade que tanto ansiava. Assim como o presidiário aguarda o dia de seu julgamento, eu esperava o dia da prova do DETRAN. Minha aprovação seria como a sentença a favor da liberdade do réu.

Após anos de espera, lá estava eu pronto para ser avaliado. Cheguei lá cedo, antes do carro da auto escola. Quando eles chegaram - meu instrutor e as pessoas que iam fazer a prova no mesmo carro que eu-, pedi para ser o primeiro a fazer a prova. O instrutor disse que não, que ele e os outros alunos já tinham estabelecido a ordem. Eu ficaria por último pois não estava lá para sortear a ordem junto com eles. Fiquei "puto"! Se eu era o único a voltar sozinho pra casa e o primeiro a chegar no local do teste, deveria ser o primeiro. Naquela hora entendi: o meu instutor ainda estava irritado com o que havia acontecido dias antes.

Como estava com pressa para fazer a prova, marquei meu simulado num sábado de manhã. Para que isso fosse possível, meu instrutor me "encaixou" cedo, pouco antes de outro aluno. Disse que teríamos que fazer no tempo de três aulas ao invés de quatro aulas, como deveria ser.
Concordei e - lá estava eu - sábado de manhã, pronto para o meu simulado. Naquela época a prova era no autódromo de Jacarepaguá. Quando cheguei na Estrada Lagoa-Barra, acelerei um pouco mais que os quarenta quilômetros permitidos ao carro de auto escola e ele pediu para que eu mantivesse a velocidade “correta”. Tentei mais duas vezes exceder o limite, e ele não deixou. Chegamos a Jacarepaguá, fiz o simulado e na volta ele começou a olhar para o relógio, estava atrasado. E disse: “Pode acelerar mais agora”. Eu respondi: “não, a velocidade correta é 40 quilômetros por hora”. Ele tentou me convencer a ir mais rápido, eu disse que não iria discutir. Quando um não quer, dois não brigam - argumentei.

Como ele se atrasou para pegar o próximo aluno, esta seria sua vingança: colocar-me por último no dia da prova.

Chegou minha vez. Estava tão ansioso, que cometi três erros, um com cada avaliador. O primeiro foi irredútivel, foi logo passando a caneta. Os outros dois não contabilizaram minhas infrações, convencidos pela minha simpatia.

Peguei o documento no mesmo dia. Ganhei um carro pouco depois. Fiz algumas viajens. Três anos depois, estava anunciando o automóvel no mercado livre. Depois de vendê-lo, experimentei uma sensação ainda melhor que a de ser aprovado na prova do DETRAN.

Como é bom não ter que se preocupar com IPVA, vistoria no DETRAN, seguro, revisão e etc. Como é bom o transporte público! Nada melhor que pegar um táxi, conversar com o motorista e não ter que se preocupar em conseguir uma vaga.

3 comentários:

Anônimo disse...

É Magriça, a graça da vida é nunca estar satisfeito.....e concordo com vc.
Fazem alguns anos que já me encontro puto tb, por ser motorista de vagabundo e morrer sozinho com os inumeros aborrecimentos.
Mas por outro lado temos que incentivar amigos nossos (os dito cujos vagabundos da frase acima), como um tal de Luis Sodré , vulgo Elvis, a tirar sua carteira e nos servir como motorista (pena que ele nao lê isso).
Fui....

Anônimo disse...

Magraum....
Esses instrutores de Auto-Escola não entendem porra nenhuma... Eu tb me irritei na época...

Hj, vc acha que a melhor coisa é não ter carro e usar o transporte publico, mas nada como ter uma CNH e um carro para participar de um RALLY e dirigir um carro c/ cambio ´borboleta` a 173km/h......

ABRAÇO

Anônimo disse...

Nada melhor do que o transpote publico??? Nada pior, o carro é a extensão da minha casa... hahahaha....