terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O tempo passa, mas a idade não.

A calça denuncia a idade do homem. Quanto mais próxima ao umbigo, mais velho ele é! Vovô usa as suas acima do umbigo, com cinto e camisa para dentro. Por isso titio diz: “de que adianta ele pintar o cabelo e se dizer mais novo. Aquela calça acima do umbigo denuncia tudo.”

O que para vovó não quer dizer nada. Vovó nunca se enxergou em tal estágio. Para ela, velhos usam bengalas. Quando o médico aconselhou-a a usar bengalas, ela se rebelou como uma criança diante do primeiro dia de aula. Ninguém conseguiu convencê-la a usar a dita cuja, bengala era o catalisador da morte!

E as mulheres de “meia idade”. Num programa da GNT, o apresentador constatou o seguinte: “mulheres não envelhecem, ficam loiras”. Assim como num passe de mágica, a mãe do seu amigo que sempre usou uma cor de cabelo próxima a de suas madeixas original, vira loira! É como um ritual de passagem - o barmitzvah feminino - realizado no qüinquagésimo aniversário.

Para Rickson Gracie, a idade nunca deve ser dita ou calculada, aquele que conta seus anos completados está fadado a fazer as coisas de acordo com o que a sociedade considera correto para uma pessoa naquela idade. Não importa a idade, o importante é você nunca deixar de fazer alguma coisa por estar muito velho para aquilo. Uma disciplina mental que deve ser exercitada diariamente.

Comecei a perceber o seguinte: quanto mais velho o sujeito, mais longe ele está da velhice. Para vovô, basta ele pintar o cabelo e não entrar em filas “especiais”; para vovó, bastava não usar bengalas e; para Rickson, basta não contar a idade.

Se a velhice não existe, por que quando chamei minha vó de velha, ela me respondeu: “pra lá tu vais”?