quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Você já viu uma baleia branca?

Assim como existem diversos tipos de ursos, entre eles, o urso polar(branco!), existe também a Baleia Branca. Você deve estar pensando agora: "dúvido, não existe tal espécie!"

Pois bem, eu já vi uma! Mais de uma vez! Creio que era a mesma. Como já vi um exemplar da espécie, e ao contar às pessoas sobre esta estranha visão, sempre recebi a mesma resposta: “Duvido, não existe este animal!”Resolvi pesquisar sobre o dito cujo.

O Google me levou a Wikipedia, lá descobri: “baleia branca ou beluga – mamífero da família dos Monodontidae. O seu parente mais próximo é o narval”.

Após apurar essas informações, disse aos duvidosos: “A baleia branca existe sim, ela é da família dos Monodontidae e tem como parente mais próximo o narval” A reação de meus ouvintes foi a mesma: todos duvidaram! Nenhum deles já ouviu falar dos Monodontidae ou do Narval. Um deles, ainda debochou, dizendo: “Monodonti… isso deve ser nome de pasta de dente!!” Bom, para convencê-los, disse: “assim como existe o urso polar, existe a baleia branca, também polar”.

Eles me desafiaram, disseram: “pois bem, "existe" a baleia branca! Então como é que você já viu uma? Você já foi pro polo norte?” Tive que ser taxativo, disse: “existe sim! E, se eu vi, deve ser por causa do efeito estufa ou aquecimento global! Sabe como é, com esses negócios aí, a natureza tá maluca, os bichos tão perdidos” E desconversei, falei que a baleia branca era conhecida também como beluga! E que, a primeira pessoa a vê-la foi Peter Simon Pallas, em 1776, no polo ártico. A risada foi geral, o mesmo engraçadinho falou: “Peter Simon Pallas deve ser um cafetão escocês e Beluga deve ser a puta que ele agencia.”

Ok, ninguém acreditou em mim, mas que existe, existe! Porém, para convencê-los, teria que dizer onde e quando havia visto o mamífero. Este era o problema!

Há anos, vi uma baleia branca nas águas do rio girassóis, umas oitocentos e dez vezes. Tentar justificar que já havia visto, foi tão complicado! Dizer que vi tantas vezes, seria ainda mais trabalhoso! Por isso, preferi aceitar o rótulo de mentiroso.

Espero que eu e, aqueles que já avistaram o mesmo animal, não sejamos tratados como ufólogos, de um grupo segregado, com um nome estranho como: alpha seis.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Automóvel

Sou muito ansioso. Acredito que o motivo que mais despertou minha ansiedade, pelo qual mais esperei durante os dezoito anos da menoridade, foi: a aquisição da carteira de motorista. Este era o símbolo da maioridade que, com o diploma do ensino médio, representavam a liberdade que tanto ansiava. Assim como o presidiário aguarda o dia de seu julgamento, eu esperava o dia da prova do DETRAN. Minha aprovação seria como a sentença a favor da liberdade do réu.

Após anos de espera, lá estava eu pronto para ser avaliado. Cheguei lá cedo, antes do carro da auto escola. Quando eles chegaram - meu instrutor e as pessoas que iam fazer a prova no mesmo carro que eu-, pedi para ser o primeiro a fazer a prova. O instrutor disse que não, que ele e os outros alunos já tinham estabelecido a ordem. Eu ficaria por último pois não estava lá para sortear a ordem junto com eles. Fiquei "puto"! Se eu era o único a voltar sozinho pra casa e o primeiro a chegar no local do teste, deveria ser o primeiro. Naquela hora entendi: o meu instutor ainda estava irritado com o que havia acontecido dias antes.

Como estava com pressa para fazer a prova, marquei meu simulado num sábado de manhã. Para que isso fosse possível, meu instrutor me "encaixou" cedo, pouco antes de outro aluno. Disse que teríamos que fazer no tempo de três aulas ao invés de quatro aulas, como deveria ser.
Concordei e - lá estava eu - sábado de manhã, pronto para o meu simulado. Naquela época a prova era no autódromo de Jacarepaguá. Quando cheguei na Estrada Lagoa-Barra, acelerei um pouco mais que os quarenta quilômetros permitidos ao carro de auto escola e ele pediu para que eu mantivesse a velocidade “correta”. Tentei mais duas vezes exceder o limite, e ele não deixou. Chegamos a Jacarepaguá, fiz o simulado e na volta ele começou a olhar para o relógio, estava atrasado. E disse: “Pode acelerar mais agora”. Eu respondi: “não, a velocidade correta é 40 quilômetros por hora”. Ele tentou me convencer a ir mais rápido, eu disse que não iria discutir. Quando um não quer, dois não brigam - argumentei.

Como ele se atrasou para pegar o próximo aluno, esta seria sua vingança: colocar-me por último no dia da prova.

Chegou minha vez. Estava tão ansioso, que cometi três erros, um com cada avaliador. O primeiro foi irredútivel, foi logo passando a caneta. Os outros dois não contabilizaram minhas infrações, convencidos pela minha simpatia.

Peguei o documento no mesmo dia. Ganhei um carro pouco depois. Fiz algumas viajens. Três anos depois, estava anunciando o automóvel no mercado livre. Depois de vendê-lo, experimentei uma sensação ainda melhor que a de ser aprovado na prova do DETRAN.

Como é bom não ter que se preocupar com IPVA, vistoria no DETRAN, seguro, revisão e etc. Como é bom o transporte público! Nada melhor que pegar um táxi, conversar com o motorista e não ter que se preocupar em conseguir uma vaga.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A ex-vizinha

Tenho pais nômades. No apartamento atual moramos há três anos. Foi uma mudança de apartamento, porém, o bairro continua o mesmo. O último prédio onde moramos fica a duas quadras do atual, lá vivemos por seis anos, nosso recorde. Aqui em casa não mudamos por necessidade, mudamos por hábito. Como o antigo apartamento fica tão perto do atual, ainda passo lá, às vezes, para ver se tem alguma correspondência e colocar o papo em dia.

Outro dia, como de costume, estava passando na frente do antigo apartamento sem nenhum compromisso urgente e resolvi parar para atualizar as fofocas. Parei, entrei na portaria, perguntei se tinha alguma correspondência e comecei a perguntar sobre o pessoal do prédio (ex-vizinhos, porteiros e o atual morador do nosso apartamento).

Estava lá conversando com o Zé que, como todos os porteiros, adora contar histórias sobre aqueles que vivem em seu local de trabalho, quando ela, minha ex-vizinha, apareceu e resolveu botar a fofoca em dia. Perguntou do novo apartamento, se estávamos gostando e se preferíamos o novo ou o antigo? Respondi que preferia o novo e ela aproveitou para perguntar, com uma simpatia que eu ainda desconhecia: “Quais os vizinhos que você prefere?” Claro que respondi que preferia os antigos. Ela sorriu, entrou no elevador e subiu para o seu apartamento. Peguei as correspondências, me despedi do Zé e tomei o caminho de casa.

Durante a pequena caminhada, fui pensando no que acabara de acontecer. Minha vizinha, que era uma criança de aparelhos e bonecas a tiracolo, tinha se transformado em uma bela mulher e resolveu demonstrar para o ex-vizinho, pouco mais velho, o que ele ainda não conseguira perceber.

Foi então que percebi: ela havia se tornado a minha Kelly Key. Cantando: “Você não acreditou, você sequer notou, disse que eu era muito nova pra você…..baba baby, baby baba”. E agora, despertava em seus vizinhos (e ex-vizinhos também) a mesma reação que “A vizinha ao lado” de Dorival Caymmi:

“A vizinha quando passa
Com seu vestido grená
Todo mundo diz que é boa
Mas como a vizinha não há
Ela mexe com as cadeiras pra cá.
Ela mexe com as cadeiras pra lá.
Ela mexe com o juízo
Do homem que vai trabalhar....."

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Por que sair do Brasil?

Hoje no jantar com a família e um casal de amigos, conversávamos sobre como o serviço carioca, em geral, é ruim. E, como todo bate papo começa de uma maneira e termina sem nunca enterdemos como fomos parar naquele assunto, de repente, falávamos de Dubai, a cidade do Oriente Médio que está se desenvolvendo em ritmo acelerado às custas do petróleo. Comentávamos sobre o hotel sete estrelas da cidade e a ilha artificial, em forma de coqueiro, onde são construídas mansões como as de Beverly Hills. Quando nossa amiga falou: "eu adoro cidades grandes e tecnológicas, se tivesse oportunidade de ir pra Dubai eu iria".

Ainda estou perplexo, enquanto os gringos que visitam o Brasil não querem voltar para seus países, minha amiga quer ir morar em Dubai. Como pode alguém querer trocar o Brasil por outro país. Se ela dissesse que é por causa de grana eu até entenderia ela querer morar fora, mas Dubai, não consigo compreender. Trocar o Brasil pelos Emirados Árabes, o Ociente pelo Oriente, o cristianismo pelo islamismo. SOCORRO!

Quando era criança e ouvi falar da Disney World imaginei um mundo onde existiam Mickey, Pateta, Pato Donald e todos aqueles personagens de Walt Disney.

Conversei com quem havia visitado o mundo encantado, fui alimentando minha imaginação e aquilo ficava cada vez melhor. Meus amigos diziam ter conhecido o Mickey, sua casa e sua família. Criei expectativas e ao saber que iríamos para lá, perdi noites de sono pensando na viagem.

Viajamos e quando lá cheguei, que decepção! Mickey e seus colegas eram pessoas em fantasias inexpressivas que ficavam acenando e tirando fotos conosco enquanto esperávamos naquelas filas gigantescas por uma curta diversão.

Hoje, minha amiga pensa em Dubai como um dia eu pensei na Disney.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Ponte aérea

Como todo ano faço, jurei que estas férias seriam diferentes. Não ficaria mais em casa. E para honrar meu juramento resolvi estabelecer uma meta: antes do natal vou à São Paulo visitar a família. Todo ano, no natal, digo aos meus tios: "este ano eu vou lá". Porém passaram-se dez anos e eu ainda não havia voltado. Meus tios já nem acreditavam mais quando eu falava: "no natal, antes do carnaval, eu apareço lá".

Então liguei para um primo carioca que acabara de se mudar pra lá e disse: "prepara meu quarto aí que eu estou indo". Ele disse: "ok, mas não venha de carro, para que você volte comigo pro natal". Eu concordei e disse que iria de avião, pois véspera de natal o trânsito é insuportável. Entrei no site da GOL e tentei comprar as passagens, não consegui, só dava erro. Liguei pro meu primo e ele disse: "eu tenho cadastro na GOL, posso comprar para você, mas achava melhor você vir de TAM, a GOL tem atrasado muito". Resolvi arriscar (economizar), pedi para ele comprar a passagem da GOL mesmo.

No dia da viagem me preparei para chegar com antecedência ao aeroporto. O vôo estava marcado para às 20:00h, cheguei no aeroporto às 18:30h. Descobri que havia um vôo às 19:20h e perguntei ao cara do guichê se ele conseguia me encaixar neste vôo. Ele disse que sim, mas que os vôos estavam atrasados uma hora. Resolvi aceitar o vôo das 19:20h com atraso de uma hora, já que assim eu acabaria saindo mais ou menos na mesma hora. Peguei o meu Ticket e fui direto para a banca comprar uma revista de palavras cruzadas e uma caneta. Comprei e lembrei dos conselhos da Ministra de Turismo. Procurei relaxar e gozar, porém percebi que a primeira parte do conselho poderia até ser a melhor forma de esperar o vôo, mas a segunda parte, impossível. Fiquei tentando imaginar como a ministra fazia para gozar em um aeroporto, enquanto sua aeronave não chegava. Cheguei à seguinte conclusão: "talvez a ministra tenha fantasias com pilotos da VARIG e estes atrasos sejam a melhor forma de saciá-la".

Após preencher diversos quadradinhos, linhas e colunas de minha revista e ouvir diversos vôos da TAM e da VARIG serem chamados, resolvi comer alguma coisa já que o atraso previsto para uma hora se estenderia para três horas com direito a pouso em Guarulhos. Jantei e às dez e vinte estávamos decolando.

Na aeronave comecei a rir sozinho quando li no encosto de cabeça das poltronas o slogan da GOL: Linhas Aéreas Inteligentes.

Sugiro à GOL que eles mudem o slogan para: LONGOS ATRASOS INTERMITENTES!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Workaholic

Herança não enche a pança.
Trabalho desde criança.
Espero um dia poder ter,
Não sei muito bem o quê.
Quem sabe uma casa na praia,
Ou aquela bela mulher de saia.
Talvez um carro da moda,
com um lindo jogo de roda.
E quando parar de trabalhar?
Não poderei mais assim sonhar?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Falar é fácil!

Deixo a eloqüência, para a presidência.
Prefiro ficar com a insensatez.
O hipócrita não revela
o que não convém.

Não me chame de eloqüente.
Nem a mim, nem ao presidente.

O poder já te corrompeu,
e você não me convenceu.
Suas palavras soam dissonantes,
hoje estamos distantes.

Quem escolheu foi você?

Vida dura, vive aquele que procura.
Vida mansa , tem aquele que descansa.
Sacrificar ou descansar,
que vida levar?
Descansando, a vida vai passando
Sacrificando, a vida vai se acabando
E você?
Sem saber o quê fazer,
deixa a vida acontecer.
Não vá depois se arrepender!
Procure entender,
se você não escolher
A vida escolhe por você.